SEJA BEM APARECIDO, OH DESAPARECIDO!
A agonia de perceber que estás perto do fim. No fim do teu tempo, da tua vida útil, de uma relação, quer de amizade ou amorosa. Esta sensação leva nos a um estado de desapego do corpo.
O corpo já não dói.
Do corpo já não sentes nada, nada flui, tudo é uma parede, uma parede construída sem licenciamento, sem notares, foi crescendo e foi tapando a luz! O corpo já se separou de ti, não o sentes, nem na dor, nem no ser, tudo se desapegou e ficou inerte.
Desapego do que antes dávamos tanta importância e hoje pelas circunstâncias diversas de todos os acontecimentos diários, não nos apegamos e vivemos um pouco no vem e vai.
Tudo vem e vai, tudo nos leva numa viagem agonizante de sentimentos, acontecimentos, como se a nova vida dos 50 fosse uma juventude disfarçada, uma constante vertigem.
Afinal sabes quem és!
Afinal alguém sabes quem és?
As pessoas na tua vida chegam, como se de uma missão se trata-se, cheias de apego, de melaço. E depois vão embora. Vão embora porque são caminho, não são destino. Essas pessoas preenchem, constroem o teu e o caminho delas.
Existem momentos de chegar e partir, vem e vai de sentimentos, de apego e desapego, de deixar ir!
Porque essas pessoas merecem ir e tu mereces deixar ir e seguir.
As oportunidades vão embora e voltam, tudo é a vida acontecer, o momento e a resolução.
As amizades aparecem e desaparecem. Por vezes essas amizades não desaparecem totalmente, adormecem por vários motivos, desencontros, por motivos geográficos, profissionais, até por vezes mal-entendidos. Curioso ouvir " seja bem aparecido, oh desaparecido" , primeira reação é sempre um sorriso cínico, eu tenho o mesmo numero de telemóvel desde sempre e das duas uma, ou não queria nem me apetecia falar, ou o momento não era oportuno. O problema maior é que ninguém me ligou, nem eu liguei a ninguém, no entanto esse "oh desaparecido" dito em público parece ter sentido recriminatório e ao mesmo tempo de satisfação a quem o afirma. Pode ser álcool a falar, pode ser mesmo estupidez ou saudade genuína, resta a quem ouve decidir se tem paciência para continuar a ouvir o monólogo!
Ainda existem bons amigos, aqueles que mesmo á distância continuam a manter alguma proximidade. Mas compreendo que o tempo se encarrege de pôr tudo no sitio. Ouço dizer que será a saudade, eu digo que tudo tem um propósito.
Todos de uma maneira ou outra continuamos, mesmo depois de mortos, a viver na lembrança, na saudade, nas vivências, e quando permanecemos vivos somos ignorados, desprezados, e mantidos à distância. É normal!
Embora o corpo não esteja, a nossa alma permanece intacta junto de alguns!
Não é a presença de corpo que faz diferença, sim o que sentes!
Seja bem aparecido, serei sempre, quando for por bem.
Oh desaparecido, mesmo aparecendo consigo ser invisível para alguns.
A relação entre pessoas nunca foi, nem nunca vai ser fácil, os humanos estão condenados a ter a solução presente e projetar sempre no futuro tudo que não podem nem tem coragem de ter e ser!
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