DESAMOR
A agitação do mar, todo o movimento das ondas, a intensidade, o repetir homogéneo, as vagas sincronizadas, tem origem na imensidão do mar, impulsionadas pelo vento, terminam invariavelmente nas rochas, de maneira abrupta, ou absorvidas pela suavidade da areia!
Se o mar está calmo, sereno, embora com movimentos bem definidos, ondulação sincronizada, termina de maneira calma em todo o limite da orla marítima. Ouves o "tilintar" do recuo das ondas, esperas que elas cheguem, aprecias o regresso delas.
Em qualquer das situações é sempre o mesmo mar.
Na vida, tudo o que acontece, de uma maneira mais agitada, intensa, ou de uma maneira serena, mais calma, vai marcando reações em tudo o que acontece à nossa volta.
Da vida intensa ao coração infinito!
Tal como o mar é sempre o mesmo, nós também somos sempre a mesma pessoa. Umas vezes mais intensos, outras vezes mais serenos, mas a essência está sempre presente.
No que sentimos, a vida , as vivências vão mostrando o caminho, o que é só nosso. O que é mais apaixonante é darmos á vida a singularidade que nos faz diferente, que nos faz únicos.
A coragem de seguir em frente, não retroceder, não olhar pelo espelho e abrandar para ser acompanhado por outros, ou acelerar a marcha para acompanhar outros mais á frente. Nem todos vão no nosso rumo, na nossa prioridade ou escolha, assim sendo vamos por nós.
O pior é entrar em desamor, por nós, pela vida.
Tenho, por vezes, a sensação que existe uma linha muito frágil entre continuar positivo e viver, ou cair.
Sentir que tudo está mal, que não existe outra oportunidade, que já gastaste tudo, que não tens outro remédio se não ficar no chão aniquilado pelos acontecimentos. De facto é uma linha muito fragil. Tão frágil que ao mínimo deslize rasga novamente. Por ser tão frágil mostra que podemos e devemos fazer melhor e ultrapassar essa fragilidade, porque essa fragilidade é o limite inferior de tudo.
Tal como as ondas do mar que encontram na linha de costa a sua fragilidade, recuam e voltam, batem com mais força e mesmo assim rebatem e recuam novamente.
Entre avanços e recuos o mar vai ganhando a sua luta, por vezes forte, outras vezes menos vivo, continua, e de uma maneira ou outra vai ganhando oportunidade de viver.
É fácil, mesmo para os que aparentemente são mais fortes, cair em desamor. Desamor pelos outros, por tudo o que nos rodeia, sobretudo por nós próprios.
Desamor pela vida.
Não adianta parar ao sentir fragilidade, tal como as ondas ao baterem nas rochas. Como as ondas recuam e ganham novamente força, novo alento, vão desgastando as rochas com toda a força que conseguem imprimir, moldando, ganhando oportunidade para serem cada vez mais fortes e confiantes.
Cada um ao viver e conviver com suas forças e fragilidades, vai deixando tudo claro, sendo fiel a si próprio, ganhando intensidade, confiança e amor.
O espelho da vida reflete no outro tudo que nós somos, tudo que nós queremos. Fases da vida fazem com que nós sejamos mais ou menos aceites, mais ou menos amados. Mas no fundo os outros dão e refletem exatamente tudo o que nós lhes damos, com a mesma pureza, mesmo amor e sobretudo com a mesma intensidade.
Sempre amei as pessoas com quem dividi todas as minhas vivências, sempre vou amar, certamente o meu espelho, o amor por mim não reflectia o que as vivências da altura exigiam, umas sentiram o meu amor, outras não tiveram sequer essa oportunidade.
As fases de toda a nossa vida tem lutas constantes, avanços destemidos, recuos positivos e defensivos, vitórias, momentos de incompreensão, momentos menos conseguidos, vivências que nos fazem, constroem e ensinam a ficar em amor.
Todos temos esse espelho de vida, todos temos essa oportunidade de viver.
carlospires - O Diário Incontável
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