MULHERES III
Estive algum tempo para decidir se ia escrever e publicar este texto. Chegou possivelmente a altura, nunca o saberemos. Mas a criatividade , espontaneidade não se podem reger por censuras!
Posso dizer que fui influenciado por muitas mulheres.
Ao longo do tempo, tive muitas mulheres que me influenciaram e de certa forma conseguiram passar muitos ensinamentos que até hoje ainda fazem parte de mim.
Da minha mãe o dar desmedido, inconsciente, por vezes até irracional. Dou sempre o que quero e não quero nada em troca. Nem sempre é bem percebido, na realidade não quero mesmo nada em troca, e isso pode até perturbar outras pessoas, mas é mesmo assim. A minha mãe tomou opções de vida que na altura muitas pessoas fizeram. A emigração criou muitos problemas, problemas comuns que as sociedades fechadas da época quase impunham. Hoje muita gente vê, e percebeu que separar famílias foi uma inconsciência. Separar famílias para um bem dito comum, trouxe mazelas que nunca mais fecham. Hoje não há nada mais a fazer. Continuar em consciência que se faz diferente, que se continua a agir com amor, pelo dito melhor.
Da minha avó Carlota, a imaginação, a educação, o bom senso, a calma, um toque ligeiro de brejeirice e o mais importante, a constante necessidade de proteger quem amas. Às vezes sinto que é defeito proteger sempre quem amas, sinto que por vezes "esmago" as pessoas à minha volta e mais preocupante é que me esmago a mim próprio.
A minha tia Cândida, ela tem bom gosto, é generosa de sentimentos, lutadora. A vida dela, e por tudo que passou, ajudou me a ver algumas coisas de outra forma, diferente da perspetiva dela. Tenho um bom gosto que só eu entendo, a minha generosidade nunca é compreendida, nem sentimental nem de qualquer outra forma. Não sei conjugar cores, até tenho alguma dificuldade em diferenciar algumas, não sendo daltónico, serei outra coisa qualquer. Tenho, tal como ela, um sentido crítico muito apurado, diferente é que me estou a cagar para o que a generalidade das pessoas pensa, o que me ajuda a ser eu e ser mais feliz, menos um parafuso por vezes dá jeito!
A vida mostrou me muitas mulheres que sofreram, sofreram para viver, para vencer na vida. Foram marcadas pela sociedade, por um ambiente fechado que ainda hoje deixa marcas. Aprendi com tudo isso...ou não!
Facto é que ao longo da minha existência fiz sofrer muitas mulheres.
Desde logo a minha mãe, por, durante algum tempo negar esse amor, especialmente depois de nascer a minha irmã. A adolescência não explica tudo, mas é uma fase complicada para todos, para quem está á nossa volta e para quem está nessa fase.
Mesmo a minha irmã sofreu um pouco com as minhas alterações enquanto jovem adolescente.
Acredito que as primeiras namoradas não tivessem a vida muito facilitada, especialmente no período que me dediquei de corpo e alma ao ciclismo de competição. Naquela altura vivia exclusivamente para a competição, nada mais. Sorte que não foram muitas.
Estive casado vinte e seis anos e reconheço, em muitos momentos que não fui o melhor dos maridos, acho mesmo que fui um merdoso. Da minha parte não soube reagir a muitas fases do casamento e muitas opções também não foram muito benéficas.
De uma coisa tenho certeza, factos provam isso mesmo, não tenho jeito nenhum para lidar com mulheres. Também acho que elas não têm muito jeito para lidar comigo. Se eu muitas vezes não me entendo, não será fácil esperar que as outras pessoas me entendam. Julgo que não é difícil gostar de mim, difícil é entender a reciprocidade, a vida a dois, os julgamentos, as dúvidas, a confiança...amar com coragem, com tudo que tens, com tudo que tens para dar. Se é recíproco, se é tudo que tens, não há medo!
Mesmo tendo uma educação católica, especialmente pela minha avó Carlota que impunha algumas crenças, cerimónias, e o facto de ser vizinho do sr. Padre Reimão, de o ajudar na celebração da missa, uma missa mais assertiva e direta do que agora. Hoje digo, não sou católico, não tenho religião, mas tenho fé, tenho fé em mim e nas pessoas, não tenho fé em imagens, em crenças religiosas, em cerimónias...
Sempre foi difícil impor as minhas vontades em temas religiosos. Para mim a fé são os homens vivos, as ações, tudo que com sacrifício, sabedoria, dedicação e amor se consegue.
As mulheres...desde a minha mãe, claro, a minha avó Carlota, a minha avó Camila, tia Rita, tia Amália, tia Cândida, tia Carlota, muitas outras, participaram no meu crescimento enquanto ser humano, homem. Sou diferente, sou eu!
carlospires
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