ECLIPSE
Eclipse ocorre quando um corpo celeste se interpõe entre outro corpo celeste e uma fonte de luz.
Hoje, mais do que nunca sinto-me eclipsado.
Os humanos também se eclipsam, acontece quando deixam de ser humanos, desumanizam tudo o que tocam. Desumanizam a vida, as relações, os pensamentos, as definições, a livre escolha, a intensidade, a saudade, o amor e tudo o que passaram.
Sinto-me eclipsado pelos outros. Sou um corpo celeste, uno, com luz própria , eclipsado...
A minha luz tem passado ora à frente ou atrás de outros "corpos celestes", de uma forma ou outra nunca consegui mostrar a minha luz e dar corpo a todas as minhas características.
Os pensamentos por fluírem, serem pertinentes e inteligentes, interessantes até, desvirtuam quase sempre o que a outra pessoa deseja .
Definir tudo o que se passa e dar-lhe propósito, por vezes é uma missão escamosa e de resolução irreversível, será tarde demais.
Ser livre nas escolhas, cabe a dois "corpos celestiais" fazê-lo em plenitude do que sentem e realmente estão naquela fase dispostos a cumprir.
A intensidade de tão pura, pode até assustar e assusta. Assusta porque é tão bom que faz sentir tudo que estava esquecido ou mesmo nunca tinha sentido.
Ter saudade do que acabou de acontecer é dramático, trágico. Essa saudade pode acabar já, num ápice, volta a intensidade, o desejo de viver, de querer, de ter tudo o que pediu, e, prefere saudade...
As pessoas que preferem a saudade à intensidade de viver, conseguem esvaziar tudo o que o outro sente, conseguem verdadeiramente eclipsar tudo o que sentem.
É muita intensidade?
É muito sentimento?
É só medo?
Ou é preferível ter saudade, e viver nessa saudade.
Essencialmente e importante é cada um ter o seu registo, a sua essência, sem atropelos, com espaço e sobretudo continuar em paz.
Ninguém completa ninguém, porque cada um é um ser especial e específico.
Ser recíproco, funciona a dois. Dois que são inteiros por si, que já são recíprocos com eles próprios. Ser recíproco com alguém é o ponto mais alto entre duas pessoas inteiras, que não se eclipsam, que se dão e recebem. Dão sem pensar em receber, porque já sabem que do outro lado também vão receber.
A fluidez com que se dão é tão natural que nem pensam, nem definem, nem notam o tempo passar, estão ali simplesmente... intensamente, livres, sentem, amam...
Ninguém ama sem se mostrar vulnerável, ninguém é capaz de amar sem se amar a si próprio.
De nada serve ser sedutor, charmoso, eloquente se ao mesmo tempo frágil. Ser só homem não chega, terá que ser tudo. O ombro, o colo, o ouvido, o desejo, o hoje, o amanhã no dia seguinte, a cama, a companhia, o amante, o amigo especial, o que vê, o que faz... Outro dia não ser nada disso. Manter a distância de segurança, viver e continuar.
Eclipsar como ser é não existir, é não viver, é permanecer na penumbra, onde não existe nenhum corpo celestial, muito menos luz.
Um ser eclipsado não comunica , em ansiedade e falta de confiança não avança, vive com os mínimos, arrasta e toda a energia é canalizada para voltar para o seu corpo celestial.
O amor, as relações, vivências, não são equações matemáticas, não são instrumentos de precisão, não é um mundo de apontamentos, é um mundo livre, livre de tempo, livre de definições.
O amor é...parar, e sob influência dos cinco sentidos, deixar acontecer...sem medos!
carlospires - O Diário Incontável
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