ADORMECER

 Simplesmente vivemos. Vivemos, arriscamos, nem damos conta o tempo passar...

Muitas vezes vemos a vida a passar à nossa frente, flashes, imagens, por vezes do passado, outras vezes ficamos com a sensação, anos depois, que esses flashes nos são familiares...

Ao adormecer, quem é o teu guia? 

Viajar de carro e adormecer, perder a noção de onde estás, acordas mais á frente... não te lembras sequer do local onde estás, nem onde passaste, por vezes pode ser assustador, irresponsável, mas...o que nos leva a continuar, quem nos guia? 

Adormecemos na vida, acabamos por viver sem saber quem somos.

 E na vida quem nos guia?

Aconteceu alguma coisa que me fez mudar, pequenas coisas, grandes coisas. Muito cedo vivi com a morte de um tio irmão, tio porque efetivamente era meu tio, irmão porque fui criado com ele, cresci com ele, dividi muitas vivências, a doença e vícios conseguiram vencer. Da mesma maneira, anos mais tarde tive que sentir outro pilar da minha educação ir embora, ainda com tanto tempo pela frente, o mais novo dos meus tios, levado subitamente. Por ele fui a Londres, senti a presença dele onde trabalhava, senti a cidade, compreendi a vida dele, nunca consegui perceber a morte. 

Diferente é reagir em silêncio a tudo isto, seguir crescendo desviando de tudo que é negativo, de tudo que é fácil. Para mim mais fácil foi continuar a viver, difícil foi imaginar a vida sem eles, emprestaram á minha juventude rebeldia, crença, alguma revolta mas sobretudo muita esperança! 

Em cada esquina está quase tudo que não interessa, segue em frente, o que é bom vai contigo, o que não interessa fica e ajuda a pavimentar todos os buracos que ficam. 

Preenche o melhor que puderes a tua vida, solidifica o teu passado, dá-lhe importância, vive o teu presente como uma dádiva. O teu futuro vais ajudar a construir mas não depende de ti, vais depender sempre de várias circunstâncias, por isso não fiques dependente do que não dominas.

Em tudo que podemos controlar, somos nós os nossos guias, outras coisas não controlamos. Acordamos e reparamos que falta o que mais importa... nós!

Quem és tu? 

Adormeces, acordas, ainda tens sono, sabes quem és tu... não adormeças.

 Paras e já não vês, vês e já não escutas, escutas e nunca falas... O silêncio não se vê, não cativa, adormece. 

 Nesse estado não fazes mal a ninguém, ficas acima do horizonte, ninguém te atinge, ninguém consegue chegar lá, não é o estado perfeito, porque nunca é, mas é o que a vida permite que faças...

Um texto feito de silêncios, poucas palavras, muitas reticências e um guia!

Olá o que te trás por cá? Foi o vento. 

Em que direção sopra o vento? Na direção que ele estiver.

Mas, o que vieste fazer? Vim para adormecer.

E ficas? Até quando puder.

Podes ficar até quando quiseres. Vive no teu equilíbrio, no teu tempo!

O que te cativa vai acordar, vai te encontrar do nada. Quando desceres do teu horizonte vais encontrar o que procuras. Tudo é permitido, porque é necessário para encontrar o teu caminho que tudo seja permitido...

Já vais? Se me é permitido vou iniciar o meu novo caminho.

Encontraste o teu caminho? Encontrei o meu guia, um novo caminho, o meu caminho.

Sempre em frente, pavimentando, alisando, alinhando os pensamentos com qualidade, a minha qualidade. Sentir a alma, sentir que todas as vivências agora são minhas, são do meu caminho. Muito serenamente, apaixonado pela vida!

Sabes onde vais? Sei que avanço no meu caminho.

Adormecido com o passado, ávido e entusiasmado pelo presente!


carlospires - O Diário Incontável 






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